O que os 10 deputados federais mais votados, proporcionalmente, no país têm a ensinar sobre comunicação e marketing político? A análise dos gastos de campanha e o comportamento digital de cada um deles pode dar uma pista do que funciona para atrair eleitores.
O nível de engajamento em campanhas proporcionais, como vereadores e deputados, é menor em relação às disputas para cargos no Executivo, como o caso de prefeitos, governadores e presidente da República.
Em 2022, 95,5% dos votos para presidente foram válidos. Esse número é de 85,5% no caso dos deputados federais, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Os 10 candidatos mais votados no Brasil foram, em ordem:
- Amom Mandel (Cidadania – AM): 14,49% dos votos válidos
- Nikolas Ferreira (PL-MG) – 13,32% dos votos válidos
- Bia Kicis (PL-SP) – 13,32% dos votos válidos
- Arthur Lira (PP-AL) – 13,26% dos votos válidos
- Yandra de André (União-SE) – 11,01% dos votos válidos
- Fred Linhares (Republicanos-DF) – 10,26% dos votos válidos
- Dr Fernando Máximo (União-RO) – 9,85% dos votos válidos
- Erika Kokay (PT-DF) – 9,06% dos votos válidos
- Natália Bonavides (PT-RN) – 8,42% dos votos válidos
- Toinho de Andrade (Republicanos-TO) – 7,68% dos votos válidos
Analisando a lista dos candidatos, fica claro que todos têm posicionamentos ideológicos muito bem definidos. A maioria defende pautas conservadoras e foram apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), que buscava a reeleição. Outros são abertamente progressistas e defensores de causas e bandeiras.
Isso deixa claro a importância de ter um nicho eleitoral, temas e bandeiras defendidos por você para engajar apoiadores, mobilizadores, voluntários e eleitores.
Além disso, é essencial saber fazer a leitura do momento político e ter a inteligência de saber usá-lo a seu favor. Todos os candidatos eleitos com as maiores votações souberam fazer isso em 2022, uma eleição extremamente polarizada na esfera federal.
Outra análise importante é a presença digital dos candidatos e os investimentos em Google Ads e Meta Ads, que foram muito expressivos na maioria das campanhas analisadas. Tempo de TV e presença nas mídias tradicionais – jornal, TV e rádio – se mostraram importantes aliados, mas não são mais definidores de vencedores e derrotados.
As redes sociais têm ocupado um espaço cada vez maior e mais importante nas campanhas. O político que for esperto, vai começar a priorizar essas mídias e a conexão com eleitores também em períodos pós e pré-eleitorais.
Uma coisa ficou clara em 2022: o eleitor vota em pessoas para o Poder Executivo, mas na hora de escolher deputados, preferem a defesa de causas e bandeiras.
E no caso dos vereadores? 2024 será ano eleitoral e todas as cidades do país vão eleger seus representantes para as Câmaras de Vereadores. A necessidade de proximidade com o eleitor fica ainda mais evidente neste tipo de eleição, uma vez que os eleitores – em especial se forem de cidades pequenas – votam em quem conhecem.
Por isso, é importante que os candidatos a vereadores comecem o quanto antes o trabalho para serem conhecidos pelo público. Em seguida, é preciso criar autoridade perante esse público, para que eles lhes confiem o voto. Mas só isso não é suficiente. É preciso também lidar com a emoção dos eleitores. Todo esse trabalho exige uma estratégia de longo prazo que começa agora.