A estratégia vencedora das eleições presidenciais de 2022

A eleição deste ano consolidou a importância da presença digital dos candidatos. Embora a TV e o rádio ainda ocupem um papel importante nas campanhas, as redes sociais vieram pra ficar e a força delas só vai aumentar nas próximas disputas.

A vitória de Lula mostra que o PT finalmente entendeu a importância das redes na construção de um eleitorado pra fora da bolha. A campanha do PT usou uma estratégia interessante nessas eleições

De um lado, Lula e seus auxiliares mais próximos se concentraram em um discurso moderado, focando na reconciliação do país, fazendo alianças importantes (a tal frente ampla), defendendo a democracia e falando com o eleitor petista e com o eleitor moderado, preocupado mais em derrotar Bolsonaro do que em eleger o PT.

De outro lado, a estratégia digital foi comandada pelo deputado federal André Janones, um fenômeno das redes sociais. Janones soube usar a estratégia que elegeu Bolsonaro em 2018 a favor da esquerda. O presidente, por incrível que pareça, ficou perdido com os adversários usando as mesmas armas que ele.

Janones conseguiu com sua estratégia deixar a campanha de Bolsonaro sempre na defensiva. Sempre respondendo a ataques. Sempre precisando se explicar. Com pouco tempo para pensar em estratégias de campanha, já que estavam o tempo todo apagando incêndios.

Ao contrário de 2018, a campanha de Bolsonaro não conseguiu pautar as discussões. Apenas reagiu às pautas colocadas em discussão pelo PT e por Janones. E na política, quem não pauta a discussão está sempre refém de ataques.

O que vocês acharam da estratégia do PT nestas eleições? Nós próximos dias, vou fazer uma análise mais aprofundada sobre a comunicação das duas campanhas!

Foto: Ricardo Stuckert

Roberto Jefferson, Bolsonaro e a gestão de crise

O caso recente em que o ex-deputado federal e aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL), Roberto Jefferson (PTB), reagiu a uma ordem de prisão com tiros de fuzil e granadas contra agentes da Polícia Federal (PF) é uma oportunidade para refletir sobre a importância do gerenciamento de crise. Ninguém está imune às crises de imagem, mas nem todo imprevisto precisa se tornar um tsunami negativo, ainda mais no ambiente político.

Mas para atravessar mares revoltos é essencial ter bons profissionais trabalhando na gestão – e também na prevenção – de crises. Analisando a reação da campanha do presidente, que busca a reeleição e está correndo atrás da vantagem do adversário na corrida eleitoral, é possível perceber a falta de estratégia para lidar com o episódio deste fim de semana. Isso nos traz algumas lições sobre gerenciamento de crise:

1 – Ficar em cima do muro não é o mais indicado em situações difíceis

O primeiro pronunciamento de Bolsonaro sobre o caso não atendeu a ninguém. O presidente repudiou as falas de Jefferson sobre a ministra Carmen Lúcia, mas ao mesmo tempo critica o inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF). Assim, o presidente não contempla nem o eleitor que gostaria que ele repudiasse completamente a ação do aliado, nem ao bolsonarista fanático que incentiva tais ações. Também não ganha o voto dos indecisos. Em casos assim, é importante marcar posição.

2 – Não traga o problema pra casa

Embora seja aliado de Bolsonaro, Jefferson é responsável por seus atos. Seria relativamente fácil para o presidente descolar sua imagem do ex-deputado, mas ao invés disso ele trouxe o problema para dentro do Palácio do Planalto.

Em seu primeiro pronunciamento, o presidente afirma que determinou ao ministro da Justiça que fosse ao Rio de Janeiro para acompanhar o andamento do episódio.

Se você traz um problema que não é necessariamente seu para dentro de casa, é mais difícil se desvencilhar dele.

3 – Mudança de rumo

Ao perceber que não agradou ninguém, e ainda por cima deixou a Polícia Federal (em tese, aliada) furiosa, o presidente resolveu corrigir a rota. Em um segundo posicionamento, Bolsonaro chama Jefferson de bandido por atirar nos policiais. Mas a solidariedade com os agentes feridos só veio depois de um pronunciamento do ex-presidente Lula, seu adversário.

Por isso, é tão importante ter uma equipe de gerenciamento de crises capaz de avaliar rapidamente os cenários e de criar uma estratégia eficaz para responder às demandas.

4 – Saia da defensiva

A campanha do presidente não tem sido eficaz no controle da discussão e da agenda pública. O presidente, mesmo com a máquina estatal na mão, não tem conseguido pautar o debate eleitoral.

A campanha tem estado em um estado recorrente de defensiva. O presidente precisou se defender de acusações de pedofilia, precisou se defender da polêmica da redução do salário mínimo, e agora precisa se defender do estrago causado pelo aliado.

É como num jogo de futebol: quem não faz gol, leva. Em casos de crise é preciso agir rápido e com eficiência para mudar o assunto.

5 – Não ache que as pessoas são burras

Essa é a lição número 1 do gerenciamento de crise: não tente fazer as pessoas de bobas. Bolsonaro tentou usar uma estratégia “nunca nem vi” no caso de Jefferson. O presidente chegou a dizer que “não tem uma foto” sequer com o ex-deputado. Resultado? Foi rapidamente desmentido por todos os jornais, que fizeram um álbum de fotos retratando a amizade dos dois. Com isso, a crise piorou.

Além disso, Bolsonaro tentou colar a imagem do adversário Lula ao ex-deputado, por causa do conhecido esquema do mensalão de 2005. Mas trazer um escândalo à tona que envolve um aliado seu que está nos holofotes pode ter o efeito reverso, já que as pessoas podem começar a questionar porque você se aliou a uma pessoa que sabia que tinha um passado tão complicado.

A crise instaurada por Jefferson vai ser capaz de mudar os rumos da eleição? Bom, isso depende de como Lula vai usar o episódio a seu favor nos próximos dias de campanha. Mas isso é assunto para outro post!

Quais as estratégias de marketing digital dos candidatos a presidente

Com a internet cada vez mais se tornando fonte de informação, o marketing digital passou a ser um ponto fundamental na estratégia de qualquer político – seja durante a campanha ou não. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos gastaram mais de R$ 147 milhões em impulsionamento de anúncios na internet – apenas no primeiro turno – em 2022.

Desde 2018, a internet ocupa um papel de destaque nas campanhas eleitorais. Neste ano, a candidata Simone Tebet (MDB), antes praticamente desconhecida do eleitor médio, obteve quase 5 milhões de votos. Não por coincidência, ela investiu R$ 2,7 milhões em sua campanha digital.

Investimentos no Google

O Google é o queridinho dos marketeiros de campanhas. O custo menor para entrega do conteúdo é um dos motivos para os candidatos preferirem anunciar na plataforma, já que o retorno é maior.

Os dois candidatos a presidência que chegaram ao segundo turno, Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT), gastaram juntos, apenas no Google, quase R$ 26 milhões.

Lula gastou R$ 10,4 milhões apenas no primeiro turno das eleições, enquanto Bolsonaro investiu R$ 4,5 milhões no mesmo período na plataforma. Na segmentação do público, os candidatos priorizam recursos para os maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná.

No segundo turno, Bolsonaro acelerou os gastos com publicidade no Google. O presidente, que busca reeleição, já gastou até a última sexta-feira (21), R$ 4,6 milhões – mais que o total investido para todo o primeiro turno.

Enquanto isso, Lula gastou até agora R$ 5,7 milhões em anúncios no Google neste segundo turno – pouco mais da metade do valor investido pela campanha no primeiro turno.

Analisando os gastos diários das campanhas, é possível perceber que os dias mais próximos das eleições são os dias com maior investimento em publicidade no Google. Ou seja, os candidatos tentam convencer o eleitor que deixou para definir seu voto de última hora – ou roubar votos do adversário.

Impulsionamento no Facebook e Instagram

No Meta, que reúne os anúncios divulgados no Facebook e no Instagram, a campanha petista gastou até agora R$ 745,6 mil. Já o presidente Bolsonaro investiu R$ 1,5 milhão na plataforma – um terço disso só na última semana, entre os dias 15 e 21 de outubro.

Em relação à segmentação do público, Bolsonaro incluiu entre os que devem receber os posts patrocinados categorias como: pais, agronomia, campo, pecuária, agricultura, agronegócio e fazenda. A campanha do presidente também direcionou 12,5% do valor gasto no Meta com anúncios direcionados para mulheres.

As mulheres também estão na mira da campanha petista. Até agora, 23% do valor gasto foi com anúncios direcionados para elas. A campanha de Lupa também apostou em uma segmentação maior, abrangendo vários tipos de categorias: família, criação de filhos, política, amizade, amor, voluntariado, caridade e causas, felicidade, maternidade, mulher, qualidade de vida, direitos humanos, e até páginas relacionadas a torcedores do Corinthians.

Quem venceu o debate presidencial na Band?

Comunicação e política andam sempre de mãos dadas! 🗣

A forma como você se comunica, o tom de voz, a roupa que você usa e sua postura corporal fazem toda a diferença na forma como o seu público vai receber as informações que você quer transmitir.

Na política isso é ainda mais importante! E em um segundo turno tão acirrado, não dá para bobear.

Por isso, é tão importante ter uma equipe de comunicação competente para te ajudar a chegar mais longe!

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